Estávamos todos a ouvir o Fredo, emocionados até à medula - há vidas onde parece que aconteceram trinta vezes mais coisas que nas nossas e em metade do tempo - e eu pensava numa conversa que tivéramos alguns dias antes. O desassombro com que se assume a própria vida, sem máscaras ou fantasias, é essencial para que o encontro pessoal possa servir de catapulta para novos voos. Eu levei muitos anos a perceber a inevitabilidade de o fazer, de tão entretido que andava a brincar às pessoas, num processo que parece não ter fim porque volta e meia regressa à base com pontas ainda (mais) soltas. E sempre, sempre, a partir de motores fora de bordo, como eu lhes chamo. Pessoas que me conseguem ler com uma facilidade que me desconcerta sempre, que me dizem coisas que me chocam à partida mas depois vão fazendo caminho, lenta e progressivamente, por entre as fissuras que o tempo e a vida não conseguiram sequer disfarçar. Pessoas muito diferentes entre si, por vezes diferentes para mim, mas que têm como denominador comum o condão de me desvendarem de mim próprio e me levarem a perscrutar outros horizontes.
E eu com o desejo absoluto de serenidade como pano de fundo. Parece que quanto mais a persigo mais longe estou, mais arredado ando do caminho certo, afastando-me inexoravelmente de mim próprio.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Bambora
Não é estranho que nos digam que «ser homem é muitas vezes uma experiência de frustração». Mas não é essa toda a verdade. Apesar de todos ...
-
Quase todos os anos, no âmbito dos grupos de pastoral de que faço parte, surge a proposta de brincarmos aos pobrezinhos: por uns tempos, ...
-
Se me dissessem, há 23 anos atrás, que acordar estes anos todos ao lado da mesma pessoa seria motivo de felicidade, eu rir-me-ia. De nerv...
-
Uma das coisas que mas aprecio naquilo que agora vou fazendo - a que tenho muita dificuldade em chamar trabalho, tal é o gozo que me tem ...

Sem comentários:
Enviar um comentário