20120626
Tudo seria incrivelmente mais fácil se não existissem despedidas.
Se pudéssemos viver sempre na presença
à mão de semear
pronta a colher
daqueles que, ao longo do percurso,
vamos permitindo que nos amem.
Tudo seria incrivelmente mais fácil se pudéssemos armar as tendas.
Isolados do resto do mundo,
viveríamos como se o mundo se esgotasse neste nós
que tão laboriosamente construímos,
mutualmente cheios de nós mesmos
alimentando-nos da imensidão que nos une.
Tudo seria incrivelmente mais fácil se ficássemos quietos,
no nosso canto
num terraço que tem um nome
num luar que tem um nome
numa capela que tem um nome
unidos por uma série de farrapos (cada um deles com um nome)
como se não existisse ontem nem amanhã.
Tudo seria incrivelmente mais fácil.
No entanto...
Se não estivéssemos sempre prontos a partir
se não estivéssemos sempre prontos a despedirmo-nos
se não estivéssemos sempre prontos a deixar que nos amem
se não estivéssemos sempre prontos a carregar as nossas tendas às costas
se não estivéssemos sempre prontos a alimentar-nos da imensidão
a abdicarmos do nosso canto
a partilharmos o nosso luar
a refazer a nossa capela com os farrapos de alguém
nem sequer saberíamos como é amar,
nem sequer saberíamos como são difíceis as despedidas
porque não saberíamos o que é amar
de tão entretidos que estávamos
no nosso pequeno mundo
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Bambora
Não é estranho que nos digam que «ser homem é muitas vezes uma experiência de frustração». Mas não é essa toda a verdade. Apesar de todos ...
-
Quase todos os anos, no âmbito dos grupos de pastoral de que faço parte, surge a proposta de brincarmos aos pobrezinhos: por uns tempos, ...
-
Se me dissessem, há 23 anos atrás, que acordar estes anos todos ao lado da mesma pessoa seria motivo de felicidade, eu rir-me-ia. De nerv...
-
Uma das coisas que mas aprecio naquilo que agora vou fazendo - a que tenho muita dificuldade em chamar trabalho, tal é o gozo que me tem ...

Sem comentários:
Enviar um comentário