No outro dia alguém disse-me que me lia. E que gostava de me ler. Assusta-me sempre. Nunca escrevo para ser lido. Escrevo para escrever. Para organizar as ideias, os sentimentos, para me confrontar comigo. Para tentar descortinar um qualquer sentido no desejo quase secreto de descobrir esse sentido em mim e no que faço. Às vezes resulta. Às vezes descubro o Ahhh!!! por entre as palavras que vão aparecendo no ecrã do computador. Um Ahhh!!! tão genuíno que às vezes desconfio que essas palavras não foram escritas por mim mas por um dos vários eus que me habitam (como eu entendo o Dr Jekyll and Mr Hyde!) Mas lá está. Para que isso aconteça não posso estar preocupado com a construção das frases, com a correção linguística, com as normas a que devo obedecer para que a coisa seja bonita. Não é para ser bonita. Ou clara. Muito menos para quem lê. É para escrever. Só isso. Por isso nunca regresso. Nunca releio. Nunca corrijo para além daquilo que o computador sublinha a vermelho - sublinhasse ele a azul e provavelmente ficaria orgulhosamente evidenciado.
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