Há expressões que não deveriam constar do meu vocabulário. Expressões como "nunca mais" ou "para sempre" pura e simplesmente não deveriam existir. Porque são sempre ditas num contexto, numa circunstância, numa situação emocional que tem tudo para ser irrepetível. O contexto muda mas o peso dessas palavras, uma vez ditas, permanece. São expressões que doem porque assim que são ditas implicam perda. O que se perde porque "nunca mais"; o que se deixa para trás porque é "para sempre". E são ilusórias. Ambas. Servem para sossegar o espírito. Por isso, quanto mais inquieto sinto o meu espírito, maior a veemência com que são por mim utilizadas. Nunca levianamente, conheço-lhes bem o peso e a exigência. Mas sempre com algum grau de mágoa, ainda que silenciosa. Porque amordaçada. Emudecida. Por isso há recuos, também magoados, que me deixam-me um amargo de boca que seria absolutamente evitável se estivesse sempre consciente que a vida é tudo menos linear. Não é linear. Eu sei que não é linear. É muito mais como as ondas do mar, num vai e vem constante, que umas vezes é suave enquanto noutras arrasta tudo o que apanha à frente. A mim, principalmente.
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