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21 de maio

QUE TIPO DE BOXEADOR É VOCÊ?

 

O que seria o boxeador que sai do ringue por ter levado alguns socos? Na realidade, tu podes abandonar o ringue de boxe sem consequências, mas que vantagem adviria de abandonar a busca da sabedoria? Assim, o que deveria cada um de nós dizer para cada prova que enfrentamos? Foi para isso que treinei, pois essa é a minha disciplina! 

Excerto de

Diário Estoico: 366 Lições Sobre Sabedoria, Perseverança e a Arte de Viver

Ryan Holiday

Há uma certa vantagem em levar pancada. Há até uma certa vantagem em saber de antemão que se vai levar pancada: estamos preparados para sofrer. E conseguimos encaixar o momento da dor na big picture: sabemos que dói mas sabemos também que há de passar.  É o velho "faz parte" que refiro muitas vezes. Ajuda-nos a lidar com o lado menos b da vida e das pessoas. Faz parte. Nada nem ninguém é só bom; nada nem ninguém é só mau. Nem o é permanentemente.

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What rises in your body when you think of home? Is home synonymous with love and affection? Is home a place you long to return to?  

For some, home is terror, a place to flee with no desire to return or revisit. This is important to name and acknowledge because too many are aimlessly wandering, feeling insignificant—unseen, unknown. 

Often, when we think of home, we think only of an external place, out there, a fixed place—the place where we live and grow, create fond memories, establish familial bonds; the place we leave when we come of age and where we return when things are hard.  

Love is home.  

Home is both an external dwelling and an internal abode. Home is the place where we belong, our place of acceptance and welcome. There, in this shame and judgment-free embryonic cocoon of love, we practice unconditional acceptance; we learn to relate to ourselves and the world around us.  

And home is a soft place for the body to land, a safe place for the soul to fully disrobe. Home is the place where our failures don’t kill, our sins can’t crush, and even when we are at our worst, we’re safe. Home is a place where we are free to take our deepest, fullest, least encumbered breath.  

At home, there’s no need to guess whether we’re in or out, welcomed or not. Home always prepares a place with us in mind.   

How are you preparing a home of unconditional acceptance for yourself? How do you welcome your body, make room for your mind? In what ways are you engaging your soul with intentionality? How are you reclaiming the safety of home for yourself?  

“Home, is a place we all must find, child. It’s not just a place where you eat or sleep. Home is knowing. Knowing your mind, knowing your heart, knowing your courage. If we know ourselves, we’re always home, anywhere.” 

https://cac.org/daily-meditations/love-is-home/

Nem sempre encontro este lar. Nem sempre procuro este lar. E no entanto sei que este lar me espera. Sempre. Para começar, o meu próprio lar. Aquele que sou para mim, ainda que às vezes consiga ser lar e outras apenas casa. Mas o mais importante é o lar dos meus. Esse é o que verdadeiramente importa, esse é o verdadeiramente seguro, esse é, verdadeiramente, aquele que é refúgio. Muitas vezes de mim mesmo. Muitas vezes, apesar de mim.

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Conversar. É tão bom! Não se limitar a trocar impressões, a dar opiniões, a dirimir argumentos, mas a conversar mesmo, partilhar sabedorias de vida, daquelas sem preocupações científicas mas que vêm do que se sente, do que se lê a partir do que se sente, do que se transmite a partir do que se sente. Estes momentos são impagáveis. São preciosos na autenticidade, na generosidade, na abertura de coração sem receios ou muros erguidos. E tornam-nos mutuamente preciosos, porque nos conhecemos melhor, porque confiamos melhor, porque a partir desse conhecimento e confiança conseguimos antecipar melhor as dificuldades uns dos outros, e conseguimos, por transbordo, que aqueles para quem trabalhamos sejam um pouco melhores. Trabalhar assim é um privilégio.

20240508

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Um desejo constante

Pe. Richard Rohr, OFM

3 - 4 minutos

 

No prefácio da nova edição de Falling Upward, a investigadora Brené Brown partilha o seu sentimento de saudade espiritual. 

 

A palavra "saudades de casa" evoca muitas vezes imagens de uma tristeza fugaz de uma criança ou o seu anseio temporário por casa e pela família. Na cultura atual, a emoção é muitas vezes descartada ... [como] um sentimento de acampamento, e não uma experiência emocional feroz que é fundamental para a experiência humana e central para a nossa necessidade de um sentido de lugar e de pertença.... Sinto-me atraída a explorar os contornos da saudade de casa para compreender melhor porque é que não consigo livrar-me deste desejo inabalável de um lar que só existe dentro de mim. 

 

Brown partilha o seu desejo regular pela casa da sua própria alma: 

 

As saudades espirituais de casa têm sido uma constante na minha vida. Não era uma experiência quotidiana, mas um desespero previsível e sempre recorrente para encontrar um sentido de sacralidade dentro de mim, não fora de mim: a minha alma, a minha casa, Deus em mim. Era a saudade de um lugar que só existe dentro de mim. 

 

Ao longo dos meus trinta e quarenta anos, ocasionalmente sucumbia a esse anseio, largava tudo e corria o mais depressa que podia para visitar a casa dentro de mim. A porta para o meu lar espiritual interno seria uma experiência simples, um encontro com um lugar fino - talvez sentado no meu carro a ouvir Loretta Lynn cantar "How Great Thou Art", ou uma tarde a nadar com Deus no Lago Travis, ou uma noite a rezar o Exame Diário. Mas depois dessa visita, ia-me embora e voltava ao meu mundo da primeira metade da vida. Eu descreveria esta espiritualidade da primeira metade da vida como o fluxo e refluxo de [palavras gregas] nostos e alga, regresso a casa e dor. 

 

Nos últimos dois anos, descobri que, espiritualmente, tenho mais vezes saudades de casa do que não tenho. As saudades espirituais tornaram-se um sofrimento quase diário. Não se trata de depressão ou exaustão. É um saber desconfortável de que estou a chegar ao fim de uma coisa e ao início de outra. Estou a partir e a chegar. Há medo, mas também há uma alegre antecipação. 

 

Hoje, quando regresso a casa, ao lugar em mim onde Deus habita, já não me interessa fazer uma visita rápida para voltar a correr para o mundo do "que os outros pensam" e do "que posso fazer". Hoje, mal consigo ser arrastada para fora de casa. Sinto-me atraída por conversas diferentes e ligações mais profundas. Quero que este espaço sagrado seja a minha casa, e não um sítio que visito para reforçar a minha "vida real" que está à margem da minha ligação com Deus. Começo a perguntar-me se a minha alga, a minha dor, é alimentada pela minha separação de Deus e do meu Verdadeiro Eu....

 

Deixar a primeira metade da vida é assustador. A maior parte de nós tem a primeira metade da vida bem definida. O que se passa é que nunca, mas mesmo nunca, tenho saudades da primeira metade da minha vida quando me afasto dela.... Talvez eu não tenha saudades da primeira metade da vida porque ela nunca foi o meu verdadeiro lar. 

 

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Eu vivo muitas vezes com saudade. Do futuro, quase sempre. Da possibilidade de ser, de acontecer, de construir, de ser de novo, de refazer. É uma saudade de algo que é inatingível e me faz desligar do que sou e tenho à minha volta. É uma saudade boa no sentido em que me projeta para o futuro, mas é, ao mesmo tempo, uma saudade má na medida em que me desliga da realidade, da minha realidade, sobretudo de quem eu sou na realidade. Hoje, no GEP, falava deste regressar. Não lhe chamava casa, mas meninice. Disse que era tempo de voltarmos a ser meninos. É o regressar ao princípio. É o regressar a casa. É o regressar de Jesus ao Pai. E nós com Ele.

 

 

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Todo o evangelho de domingo fala de amar. Não tanto de amor, mas de amar. É muito diferente. Amar implica-me, é ativo, é carne, é dia, é vida vivida, não é apenas uma palavra bonita mas é ação. Á qual se podem juntar palavras ou silêncios, mas tem sempre presença. Que até pode nem ser física, pode estar do outro lado do mundo - na Amazónia, por exemplo - que não perde intensidade, que não ganha racionalidade. Amar não fala a linguagem da possibilidade, mas da inevitabilidade. Eu não consigo deixar de te amar, apesar de, racionalmente, tudo me empurrar em sentido oposto. Amo apesar de mim. Sempre. Das minhas conveniências, do meu interesse, da minha racionalidade. Amo muitas vezes com o incómodo de ter de sair do meu lugar, do meu sofá, do meu conforto, da minha indisponibilidade mental e emocional, porque o abalo é tanto que não importa nada o que eu quero ou o que me é mais conveniente. E quando importa, é sinal que amo mais a mim que a ti, que me ponho no centro do amor, que sou o alvo privilegiado desse amor. E isso não é amar.

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0800 

A esta hora, na Sala dos Professores, o que mais se ouve é “Bom dia”. Para muitos, é mais um ritual daqueles que usamos sem pensar. Para outros, no entanto, é mesmo a formulação de um desejo: que este seja, efetivamente, um bom dia. E logo de seguida tudo fervilha a um ritmo alucinante. Olhos nos computadores, breves conversas para concertar mútuos procedimentos, arranjos de última hora para que apenas falhe o mínimo possível, pedidos e aceitações de propostas de trabalho com as turmas. A Sala dos Professores é um lugar muito interessante, assim como a mesa de uma família. Aqui estamos à vontade, aqui acontecem encontros e desencontros, aqui se dizem coisas que dificilmente serão repetidas fora desta sala pois não são mais que meros desabafos mais ou menos sentidos. E estamos a chegar àquela altura do ano em que o que mais se vê são rostos fechados e o que mais se ouve são grunhidos guturais de quem está focado no que tem que fazer. Está aí a pressão do final do ano, uma pressão quase insuportável que advém da consciência da responsabilidade da construção do futuro dos miúdos que temos diante de nós. Por vezes quase cedo à tentação de me sentar a um canto da Sala dos Professores e olhar. Apenas olhar. E deixar que a admiração por quem se empenha assim na sua profissão me sirva de alento.

20240425

A Isabel disse-me que me sentiu com menos energia na oração de envio para o Rumos. É verdade. Eu também a sinto. A idade é lixada. Já não é o mesmo frenesim, a mesma garra, a mesma alegria esfuziante. As coisas até se fazem, mas é mais a custo, menos natural. É giro como a idade nos vai moldando. A sensação é que vida vai pedindo coisas diferentes. A dificuldade maior não é aceitar que esse processo está em curso. A dificuldade maior está na gestão desse processo. Entender e fazer entender que as coisas não são como dantes. Nem voltarão a ser. Porque mexe com hábitos - próprios e dos outros - expectativas - próprias e dos outros - compromissos - próprios e dos outros. E quase sempre com a gestão própria posso bem. Difícil é gerir os outros, sobretudo as suas expectativas.

Bambora

  Não é estranho que nos digam que «ser homem é muitas vezes uma experiência de frustração». Mas não é essa toda a verdade. Apesar de todos ...