20150606
Estavam ambos sentados, em silêncio, ao fundo da capela. Pouco antes lera apressadamente a sua mensagem "estou na capela". Não esperava aquela resposta. É certo que ambos se tinha cruzado há pouco, fugazmente, muito fugazmente, no corredor, e ambos se tinham lido mutuamente naquela fracção de segundos. A leitura da falta de vida num olhar, a certeza que essa falta de vida tinha sido lida, sem apelo nem agravo, sem tempo para a disfarçar convenientemente, no outro olhar. É certo que depois disso tentou evitar o inevitável, dar tempo à reconstrução, voltou a consultar a página 10 do Manual de Instruções, como lhe tinha sido cuidadosamente pedido, e esperou. À distância. Exterior. Apenas exterior. É certo que não conseguira esperar mais quando teve a certeza que algo acontecera e, a medo, perguntara: "posso ajudar?" Mas é mais certo ainda que o que leu a seguir foi inesperado: "estou na capela".
Estavam ambos sentados, em silêncio, ao fundo da capela. Aprendera antes, muitos anos antes, dolorosamente, que há momentos em que o silêncio da dor é preferível à artificialidade do riso. Aprendera que, nestes momentos, quanto maior é o sentimento, maior é o espaço que ocupa, sem requerer nada mais que a pura presença. Estar, nestas alturas, é a única coisa que vale a pena. Estar. E escutar. Por isso abandonara há muito tempo as palavras de circunstância, aquelas que se dizem nestas alturas àqueles com quem nos cruzamos nos corredores mas de quem não se lêem olhares, de quem não se escondem olhares. Por isso se limitou a estar. A dar cumprimento à sua vontade de estar. A dar seguimento à permissão para estar.
Estavam ambos, sentados, em silêncio, ao fundo da capela. E deixaram-se estar, ambos, refugiados da vida que corria lá fora, a escassos metros, refugiados do mundo que continuava a girar, refugiados do barulho que impede o encontro, o belo e profundo encontro, aquele que dispensa as palavras, aquele que dispensa a artificialidade do sorriso, aquele que dispensa a camuflagem do sofrimento, aquele que une verdadeiramente.
Estavam ambos, sentados, em silêncio, ao fundo da capela. Gratos, ambos. Abençoados, ambos (abensonhados, como aprendi). Porque se permitiram, naquela altura, estar ali sentados, em silêncio, no fundo da capela. Juntos.
20150604
Sempre gostei das manhãs de nevoeiro, que me intrigou sempre. Saber que há mundo para além do mundo que consigo ver num dado momento, confiar que o que estava ali anda ontem continua ali, apesar de tudo, poder aventurar-me no verdadeiramente desconhecido, seja porque nunca lá estive, seja porque não sei exactamente o que me espera desta vez, constituem momentos que têm demasiadas similitudes com a fé e com a minha própria vida para que me possam passar ao lado.
Quando me disse, ontem, por entre gargalhadas, que não sabia ainda se iria renovar, não me surpreendeu. "Tenho medo de me acomodar, e continuar seria demasiado fácil. Se não gostasse tanto daquilo..." Por vezes consigo ver nele alguns traços do que, noutros tempo, também me moveu. A vontade de ser mais, o desejo tremendamente impulsionador de fugir às circunstâncias, de encontrar uma outra realidade que nos permita sermos absolutamente normais, absolutamente cinzentos, absolutamente invisíveis, são motores poderosíssimos. Mas algo mais profundo nos une: a (r)evolução que começa por dentro, que será até quase imperceptível a um olhar menos atento, a serenidade exterior fortemente contrastante com o que se passa lá por dentro - tenho-me lembrado tanto do Martin Rubber Duck, do Convoy! - e a evolução constante, sem rupturas assumidas. numa naturalidade laboriosamente construída, numa contenção permanentemente, são traços que já foram meus e que revejo nele.
"Gostava de não regredir até voltar a ser assim. Falar mito alto, gesticular muito, não me fazer passar despercebido." Olhou-me com aquele olhar que eu leio tão bem há tantos anos e que me dizia que não tem nada a certeza que isso não acontecesse. Gostaria de ter eu aquela certeza que estivesse enganada, mas não a tenho. De todo. Por vezes penso que o passado está demasiado longe para que me possa revisitar. Noutras, porém assombra-me as noites com demasiada facilidade. Em sonhos recorrentes, com as mesmas personagens, com as mesmas histórias, com os mesmo casos mal resolvidos, comigo invariavelmente dizendo o tanto que ficou por dizer, comigo invariavelmente fazendo o tanto que ficou por fazer, assumindo finalmente o tanto que escolhi desperceber.
Sempre gostei das manhãs de nevoeiro. Fazem-me voltar além do olhar.
20150602
Tenho ainda bem presente uma discussão taizeniana acerca de copos meio cheios e meio vazios e realismos e fantasismos e pessimismos e otimismos. Por isso sorri quando entramos pela portaria principal e, olhando o cartaz de Timor, pensei "já conseguimos mais de metade", e ela disse, em voz alta "ainda falta muito para atingirmos o objetivo". Dificilmente algo seria mais esclarecedor!. De um lado eu, sempre a olhar para o que já tenho, sempre a valorizar o que já tenho, sempre a apreciar a paisagem, a saborear a viagem, sem dar demasiada importância ao destino. Do lado oposto ela, sempre com os objetivos bem definidos, sempre com os pés demasiado assentes no chão, de olhos postos no papel enquanto lá fora a paisagem vai desfilando, sem que ela dê conta. Algures no meio, o nós, sempre a chamarmos a atenção ao que escapa, sempre a apresentarmos a nossa própria visão do mundo, sempre a impormo-nos a visão do outro, sempre a descobrirmos o novo através do seu olhar e da sua postura sobre a vida. Tem sido assim desde sempre e, francamente, quem tem saído a ganhar têm sido os meus filhos. Têm o melhor de dois mundos - ou o pior deles se não souberem escolher a melhor altura/pessoa quando querem alguma coisa - e sabem já que, filtrando o que um e outro diz ou faz, terão o caminho mais sensato e mais seguro. Nós também sabemos já que há determinadas áreas que remetemos para o outro. Os estudos, por exemplo, não são bem a minha área "pai, tive 15. Ótimo filho" "mãe tive 15. Só? Andas a brincar!" Tempos houve em que tentamos conciliar tudo antes de chegar aos filhos. Combinávamos posturas e formas de fazer e de dizer para que eles nos pudessem ter a uma só voz. Era isso que os educadores aconselhavam, era isso que os nossos amigos faziam e tentávamos, como pais, ser o que todos os pais querem ser: perfeitos. Em vão. Fomos descobrindo que o nosso bom senso aliado ao conhecimento dos nossos filhos e de nós próprios ia chegando para, pelo menos, irmos tateando o caminho. Não tínhamos a segurança do olhar dos especialistas mas tínhamos os nossos filhos a caminhar connosco, com avanços e recuos, como sempre tem sido a nossa vida. Sempre fomos cartas fora do baralho. Vínhamos de vidas muito diferentes, temos formas diferentes de viver o mundo, por vezes com perspetivas quase irreconciliáveis, que originaram discussões intermináveis, ainda não definitivamente acabadas. Contra a corrente, contra as probabilidades, contra o instituído, contra o que muitos dos que nos conheciam esperavam, vivemos todo este tempo muito felizes, e esperamos viver outros tantos, pelo menos.
20150528
Olhava-a e continuava a ver aquela expressão traquina que sempre a acompanhou e que o tempo não conseguiu ainda desfazer. Olhos vivaços, sorriso fácil - quando não está num dos seus terríveis acessos de mau génio - sempre a medir-nos enquanto nos fala, sempre a pesar o que lhe dizemos, como lhe dizemos, como a acolhemos, sempre à procura de alguma acusação implícita. Apenas baixa a guarda quando se certifica que continuamos a gostar dela, apesar do tempo, apesar das asneiras, apesar do seu encolher de ombros. Fala-nos da sua última experiência, a dançar em bares, como a mãe dela fazia, como nós sabíamos, desde pequenina, que viria a fazer, porque aquela miúda nasceu para dançar, revela-se a dançar, e fazê-lo em bares é um caminho demasiado fácil e evidente para que possa ter sequer considerado outra alternativa. Fala-nos com um sorriso nos lábios e dor no olhar. Inteligente, como sempre foi, sabe que corre o risco de chumbar o ano, fruto das noites mal dormidas, do dinheirinho no bolso, das companhias que - sabe-o bem - a usam. Às tantas remete-nos para o muito que vivemos juntos "aquelas colónias... eu fazia-vos a vida negra... portava-me tão mal... era tão bom!"
Olho para a Isabel e percebo que falta pouco para rebentar. Se há algo que a move é uma vida que corre o risco de se ver desperdiçada. Ainda por cima, esta pede, sem pedir, para ser salva. Mal a miúda sai para conversar com outros de nós, a Isabel começa a contactar com quem a poderá ajudar, começa a delinear um plano de ação, uma saída, para que este ano letivo não seja ainda um ano perdido, para que possa completar ainda este ano o 9º e enveredar por um ensino profissionalizante na área da dança, ou do teatro, ou de qualquer outra coisa que leve aquele miúda a ser novamente uma miúda, que a ajude a não desperdiçar o enorme talento que tem. Passada meia hora, já tinha aulas de apoio marcadas com professores da especialidade, já tinha conversado com a professora de dança para a integrar no nosso seio, já tinha conversado com as restantes miúdas do grupo para a acolherem devidamente, e quando se voltou a sentar com ela, deu-lhe já outras possibilidades de futuro.
Quando veio ao nosso encontro sabia bem ao que vinha. Sabia que a escutaríamos, que tudo faríamos para a ajudar, sem criticar, sem apontar o dedo, preocupados apenas com o seu presente, concentrados apenas no seu futuro. Disse-me a Isabel que, quando saí de junto delas para tratar de outras coisas, ela lhe disse que gostava muito de nós, porque desde pequenina que tinha visto que gostávamos mesmo um do outro, e que tinha sido também isso que a levara a procurar-nos. Temos muitas maneiras de ser para os outros. Acredito que as melhores e as mais importantes nos são invisíveis, inconscientes até, mas que transpiram de nós com a mesma naturalidade do suor do nosso corpo. E fiquei feliz. Pela miúda, claro. E porque aquela casa tem vindo, lentamente, paulatinamente, de forma segura, a cumprir o motivo pelo qual nasceu: dar vida a quem já não confiava nela.
20150525
Parei de repente. A escutar. Abismado pelo silêncio, apenas entrecortado pelo suave bater das ondas, inundado pela súbita e inusitada tranquilidade. Na minha cabeça, apenas o salmo "Eu Vos louvo, Senhor. Vós Sois a minha força". Prossegui caminho. Procurava motivos para esta sensação tão contrastante com aquela que sentira, no mesmo lugar, praticamente à mesma hora, na semana anterior. Enquanto hoje tudo era harmonia, na semana passada tudo era turbilhão. Seria do que me rodeava ou de mim? Só podia ser de mim, claro. Afinal, era o mesmo sol, a mesma manhã, as mesmas ondas, o mesmo silêncio fora de mim. E era o silêncio dentro de mim, e isso sim, fazia toda a diferença.
Todos os dias faço dois percursos que, apesar de distanciarem entre si escasso metros, são completamente diferentes. Vou mesmo junto ao mar, regresso pela avenida. O meu estado de espírito em cada um deles é completamente diferente. O primeiro, feito na companhia das ondas e das gaivotas, remete-me para a oração e reflexão interiores. Não há qualquer outra paisagem que não seja a do mar. Louvo a Deus, por vezes rezo o terço, penso nos meus dias, nos meus amigos, nas pessoas que amo. É a minha fase Zen. Depois, para regressar, subo 4 metros e estou num outro mundo, completamente diferente. Cheio de pessoas, umas a caminhar, como eu, outras a correr, cheio de carros - belos carros! - e de casas - belas casas! - é a minha fase euromilhões. Olho as pessoas e as máquinas e os apartamentos à venda e imagino-me a viver ali, com aquele dinheiro, com aqueles carros, com aquele tempo todo para fazer o que bem me apetecia. Mas passa-me dpressa porque aquele é também o tempo de regressar mentalmente ao trabalho, de me preparar para o dia que me espera, de conceptualizar reuniões e esquemas e processos.
Interiormente, o que vai é muito diferente daquele que regressa. Sou o mesmo, no entanto. Hoje, quando ia, estava tão feliz que me apetecia desejar os bons dias a quem por mim passava. Como não tinha lata para isso, enviei alguns sms a pessoas que, apesar de não estarem lá, caminham muitas vezes comigo. Ia com aquilo que eu chamo o "peito cheio", a usufruir intensamente do que me rodeava, saboreando plenamente o que me preenchia. Quando voltava, preparava o meu dia, recordava o que tinha que fazer, os compromissos que me esperavam. Não vinha menos feliz, porque adoro o que faço, mas era um outro registo: mais sério, mais concentrado, mais responsável.
Todos nós temos as nossas próprias danças. Todos nós temos as nossas vidas interiores que, uns mais outros menos, tentamos descodificar. Todos nós temos percursos, mais ou menos sinuosos, que nos levam a ser quem verdadeiramente somos. Mas bom mesmo, é sentirmos que temos com com quem os podemos partilhar. Termos quem nos ame o suficiente, quem se interesse o suficiente, para nos ajudar a descobri-los, para nos ajudar a percorrê-los, estando fisicamente presentes ou não. Isso sim, é o que faz a diferença nos meus dias.
20150523
"Os Alquimistas fazem isso. Mostram que, quando procuramos ser melhores do que somos, tudo à nossa volta se torna melhor também."
O Alquimista, Paulo Coelho
O "hoje e apenas hoje", o "aqui e agora", sempre me foi extremamente sedutor. Perigosamente sedutor, diria. Poder ser, fazer, dizer o que se quer e como se quer, como se não existisse amanhã, como se não tivesse existido ontem, na mais pura das inconsciências, afigura-se-me quase como um paraíso de liberdade. No entanto, um olhar mais atento (normalmente vindo de fora) permite-me sempre concluir que não é isso que me torna mais humano.
No último encontro do ComTigo andamos à volta do PermaneSer. Seguíamos, como temos feito ao longo de todo o ano, as escolhas do Bom Samaritano, incidindo desta vez no que ele fez que eu nunca faria. Num dia bom, até poderia não passar ao lado, até poderia não fazer de conta que não via, até poderia ir até ao caído e ver o que tinha. Mas, mesmo nesse dia bom - e tinha que ser mesmo bom! - o provável é que me limitasse a chamar o 112 e a ficar lá enquanto ele não chegasse. E depois, naturalmente, afastar-me-ia, com as mãos limpas e a consciência lavada. Provavelmente chegaria a casa e, ao jantar, contaria o que acontecera, provavelmente com uma ponta de orgulho mal disfarçado, por ter feito algo de relevante por alguém. Mas muito dificilmente, muito provavelmente nunca, em caso algum, pegaria nele, o meteria no meu carro, o levaria a uma clínica privada, pagaria as suas despesas do meu bolso, e prometeria ainda voltar no dia seguinte. Eu sei lá quem era o homenzinho, se ele tinha merecido ou não, se ele tinha sido descuidado ou não, se ele estava bêbado, ou drogado, se ele me iria pedir o que quer que fosse... Como poderia deixar alguém entrar assim, sem bater, na minha vida?
Há uns meses, estava a sair para dar a minha volta do costume, quando me apercebi que algo tinha acontecido a poucos metros. À medida que ia ao encontro do sucedido, rezava para que não tivesse acontecido nada de grave, ou a ter acontecido, que pelo menos não fosse alguém conhecido, e, em último caso, a ter mesmo que acontecer, que pelo menos estivesse lá já quem apoiasse, quem me permitisse seguir o meu caminho sem qualquer problemas de consciência. Como sempre aconteceu no melhor da minha vida, não era o que eu deseja que acontecia: era o que me chamava. Era grave, era uma amiga, e eu fui o primeiro a chegar junto dela. E junto dela permaneci enquanto a ambulância não vinha, acompanhei-a ao hospital, e com ela fiquei até ter que a deixar. Durante todo o tempo em que estivemos juntos via a gratidão no seu olhar - até porque ela a repetia imensas vezes! - e pedi-lhe várias vezes que ela se deixasse disso. Não por falsa modéstia - mal de que não sofro - mas porque era imerecido. Porque tinha a sensação que, tivesse eu tido escolha, e provavelmente teria seguido o meu caminho.
Sempre tive a noção clara que gostaria de ser o que não sou. Gostaria de ser intrinsecamente bom, como algumas pessoas que conheço, que nunca sentem necessidade de se questionarem acerca do caminho a seguir, que nunca colocaram outra possibilidade que não fosse a de cuidar do caído. Gostaria de ter raízes fortes e seguras, de ter uma âncora ou outra que me mantivesse feliz no meu lugar sem querer saber se há mais mundos neste mundo. Gostaria de não ter que importar tudo o que verdadeiramente importa mas de o encontrar cá dentro, sempre cá dento, permanentemente cá dentro, sem ter que ser alvo de uma procura constante. Gostaria de ser mais João e menos Pedro, mais Paulo e menos cireneu, mais serenidade e menos busca, e menos, muito menos, acaso.
20150520
"... o deserto é tão grande, os horizontes ficam tão longe, que fazem a gente sentir-se pequeno e permanecer em silêncio. (...) Todas as vezes que olhava para o mar ou o fogo, era capaz de ficar horas em silêncio, sem pensar em nada, mergulhado na imensidão e na força dos elementos."
Regressei, brevemente, ao Paulo Coelho. Os meus filhos gozam-me, claro. Talvez um dia entendam como por vezes é importante colocar de lado os calhamaços das coisas importantes e voltar às coisas simples. Eu faço-o algumas vezes. Quando me sinto mais perdido na azáfama quotidiana, quando preciso de voltar a pensar e a sentir o belo, quando me apercebo demasiado mergulhado na agenda, sem tempo para tudo aquilo que não é trabalho, sem disponibilidade interior para o que me faz crescer. Imponho-me fazê-lo, forço-me esquecer, ainda que por breves momentos, o que é imperativo para me ligar ao que é essencial. Paulo Coelho é apenas uma etapa, um pretexto, se calhar um refúgio, assim como o são Richard Bach ou Saint-Exupery. Nunca pego neles por muito tempo, apenas o suficiente para me recordar do que é importante na vida, que as pessoas são pessoas, não são apenas trabalho, e que o barulho do mar e o silêncio e o frio e o vento, ou uma boa conversa, um sorriso, uma partilha de coisa nenhuma, são tão importantes quanto um trabalho bem feito para que me possa deitar e sentir que o meu dia valeu a pena.
É-me muito importante regressar às coisas simples e pequenas. Quando levo as coisas demasiado a sério acabo sempre por me levar demasiado a sério, e isso é meio caminho andado para a asneira. Se estiver numa fase boa fico demasiado cheio de coisa nenhuma, se estiver numa fase má, fico cheio de nada. É puro desperdício. No fundo, trata-se de não inventar, de me confrontar com o imenso que me rodeia, de me recordar o que verdadeiramente quero na minha vida, o que verdadeiramente me faz feliz, sacudindo o pó dos dias e assentando os pés no chão. No fundo, trata-se de reencontrar. Pessoas. Fundamentalmente, pessoas. Que valem a pena, que me fazem feliz, que me deixam saudades e me despertam uma vontade imensa de regressar ao onde e ao como sempre fomos felizes. Juntos.
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Bambora
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