20130402
Retomo o quotidiano, depois de uma Páscoa que não foi nada fácil. Desta vez não consegui fazer qualquer pausa. Pelo contrário. Um Centro Comunitário a abarrotar de malta nova sem nada que fazer - e, como bem sabia o Padre Américo, é tão importante que estejam ocupados! - umas celebrações pascais a requererem a minha participação, uma casa cheia a exigir a minha presença... e uma permanente sensação de correria que me incomodou permanentemente. E, algures por entre a correria, um Deus que ressuscita.
Não é fácil gerir Marta e Maria. Se, por um lado, encontro o Ressuscitado justamente naqueles a quem me vou entregando, por outro, a azáfama constante rouba-se o silêncio, a calma e a serenidade e afasta-me do encontro profundo que preciso que aconteça. E não consegui ainda encontrar esse equilíbrio. Algures entre o trabalho no Centro, os ensaios, as celebrações, a visita pascal no compasso, a vida escapa-se-me por entre os dedos. E essa é uma sensação terrível!
Como sempre acontece, recebi este ano algumas mensagens de amigos. Uma delas apenas me questionava: "Que se passa contigo?" Não respondi porque não sabia o que responder. Poucas coisas me chateiam tanto como não saber o que responder. Quando os meus filhos chegavam ao Segundo Ciclo, eu sentava-me com eles e dizia-lhes : "a partir de agora, podes fazer o que quiseres... desde que me saibas explicar porque o fizeste." Detesto o encolher de ombros, o ir na onda, o não se questionar, o não se saber porque se faz o que quer que se faça. Detesto ainda mais quando eu próprio não sou capaz de responder.
Hoje de manhã rapei a barba. Para me recordar do motivo pelo qual acordo, de quem me é verdadeiramente importante, em função de quem quero viver. Para me recordar, efectivamente, que o mais cómodo nunca é o melhor e que eu não sou a medida de coisa nenhuma. Para me recordar que, se deixar correr o marfim, não tardarei a encolher os ombros quando alguém que me é importante me perguntar o que se passa comigo.
Hoje de manhã rapei a barba. Reassumi o comando.
Da imensidão de fotos e textos que foram publicados ao longo destes primeiros dias do Papa Francisco, esta é, claramente, a que mais me diz. Um Papa que se senta numa cadeira no fim da Igreja só pode ser alguém tem a consciência que não ocupa mais um cargo.
Têm sido muitas as pessoas que me têm vindo a perguntar o que penso do Papa Francisco. E eu nunca sei muito bem o que dizer. Por um lado, há a enorme esperança que o critério de adesão à Igreja passe a ser o da fé e do desejo de conversão e não qualquer outro. Acredito numa Igreja onde todas as pessoas de boa vontade encontram um lugar para repousar a cabeça, qualquer que seja a sua circunstância. Esta Papa tem dado bons sinais nesse sentido, mas ainda é cedo para avaliar o que quer que seja. Por outro lado, esses sinais são hoje lidos, analisados e discutidos minuciosamente por todos, em todas as alturas. Nunca como agora um Papa foi submetido ao olhar público, crente e não crente. Não é possível que um olhar de fé queira da Igreja o mesmo que um olhar mais superficial. Esquecemos frequentemente a dimensão do Mistério do Amor, que é sempre incompreensível aos olhos de quem vê de fora. Basta pensarmos como a relação de alguns casais por vezes nos causa estranheza. Quem está de fora guarda cães, lá diz o ditado. Por isso, cedo ou tarde, haverá desagradados com o rumo que a Igreja irá tomar e, tal como escutamos no Evangelho de ontem, às palmas e gritos de Hossanas seguir-se-ão, inevitavelmente, públicas condenações. Não tenho qualquer ilusão acerca disso.
E, francamente, não me parece nada mau que assim aconteça.
20130327
Um dos principais sintomas de que qualquer coisa cá por dentro não anda bem é a minha necessidade de preencher o silêncio. Quando isso acontece porque tenho aquilo que eu chamo "o peito cheio" não é mau. Acontece quase sempre depois de uma experiência forte de encontro, como foi Taizé este ano, por exemplo, ou Moçambique, ou Santiago. Nessas alturas parece que a vida vivida não cabe na minha vida e transbordo de qualquer maneira e tudo vale: escrever, rezar, falar, cantar, um piscar de olhos no corredor...
No entanto, tenho outras alturas, muito mais frequentes, em que tudo o que escrevo ou digo não passa de um rol de disparates. Também tenho um nome para isso, que espelha a desagradabilidade da situação: "diarreia verbal". Invariavelemente, arrependo-me do que digo ou escrevo, invariavelmente ultrapasso as marcas, invariavelmente exponho-me em demasia porque revelo o que deveria ficar reservado: a minha estupidez natural. No entanto, esta necessidade não é em nada inferior à primeira. Nem menos minha. Por isso, resisti sempre à tentação de esconder esse meu lado mais nefasto.
Se há coisa na vida que temo verdadeiramente é a responsabilidade pelas expectativas criadas. Por mais que avise que não deve ser dada muita importância ao que digo - eu próprio, como me conheço de ginjeira, já não o faço há muitos anos - normalmente isso é tomado como um ato de modéstia - que eu não tenho - e depois vejo-me catapultado para sítios aos quais sei que não pertenço, nem quero a responsabilidade de pertencer.
É nessas alturas e apenas nessas, quando as pessoas me levam demasiado a sério, que me lembro do que o meu sogro me dizia (ele que, entre muitas outras coisas pouco abonatórias acerca de mim, achou sempre que eu falava demais) "o Calado é um grande jogador!"
20130321
Detesto estar assim. Hoje acordei com a telha. Estupidamente, sem qualquer motivo, tudo me incomoda. A música, o tempo, os pensamentos, as recordações, tudo é motivo de estorvo. Tudo o que leio é mal escrito - eu próprio escrevo como se estivesse a descarregar o autoclismo - sem sentido, sem utilidade, típico de "se as pessoas tivessem mais que fazer..." Prevejo aquilo que será o meu dia e não consigo ver nada em condições, nada que valha a pena. Hoje estou detestável!!!!
Tenho dias assim, em que preciso de encontrar o meu botão e fazer um reset antes de fazer estragos. Por mais que tente descobrir, não encontro um motivo palpável para estar assim, De ontem para hoje nada mudou, o que tinha ontem é o que tenho hoje, mas o que ontem me fazia feliz hoje incomoda-me, perturba-me. O que provoca isto não pode vir de fora de mim, portanto. Continuo a ter quem me ama, quem me espera e quem espera de mim, quem conta comigo e com quem posso contar. Check. O mais importante está cá.
Ok. Vamos à segunda fase, então. Fecho os olhos, respiro, e redescubro que preciso de me encontrar. Preciso de ir à capela.
Fui.
20130319
Na semana passada participei numa eucaristia que um bom padre conseguiu tornar especial. Eu sei que no papel todas o são, que é onde acontece o encontro connosco próprios, com os outros e com Deus, e blá blá, mas mesmo para mim, que normalmente gosto das eucaristias, umas são melhores que as outras.
Na homilia, o sacerdote, com uma enorme capacidade de correr riscos com miúdos que nem sequer conhecia - o que revela uma enorme segurança (ou inconsciência, o que por vezes também acontece) - pega na Parábola do Filho Pródigo e trata de encetar um diálogo com os miúdos colocando uma série de questões e provocando as suas respostas.
Confesso que a certa altura desliguei.
Porque o que me interpelou foi outra coisa.
Durante a minha vida fui, muitas vezes, o filho pródigo e voltei aos que me amam para lamber as feridas, profundamente arrependido e desolado pelas camelices que fiz. Durante a minha vida fui, muitas vezes, o filho mais velho e olhei de soslaio o acolhimento que foi feito aos que, na minha opinião (e do alto do meu ciúme), se tinham baldado grandemente enquanto eu, inocentemente, desinteressadamente, apenas por ser completamente bom (pois!) me esfalfara a fazer o que os outros esperavam que eu fizesse.
O que é verdade é que naquela eucaristia me apercebi que fui muitas vezes filho mas nunca fui um pai que simplesmente acolhe.
Se um dos meus filhos chegasse a casa depois de um período de ausência em que não tivesse dado notícias, em que tivesse estoirado tudo, em que fosse um estroina que não queria saber da família para nada, muito dificilmente eu o acolheria sem, primeiro, lhe ter dado dois bananos mal chegasse à minha beira ou, no mínimo, lhe ter enchido a cabeça de tal forma que ele teria vontade de me virar costas e preferido voltar a comer com os porcos.
Esta capacidade de acolher sem recriminar é das coisas que mais me desinquietam no Evangelho. A forma como Jesus acolheu a Samaritana, a Pecadora, Zaqueu, que, ao contrário do que acontece com o Filho Pródigo, não são parábolas mas relatos de acontecimentos presenciados, testemunhados por muitas pessoas, tornou-se, em determinadas alturas da minha vida, numa das maiores fontes de segurança e de confiança. Saber que o meu Deus, o Pai que me ama, me acolhe com um sorriso sem me perguntar onde estive, por onde andei, porque me afastei, tornou-se um imenso porto seguro. E, principalmente, ajudou-me a conseguir voltar a encarar os que, porque me amam, saíram profundamente magoados pela minha ainda mais profunda estupidez.
A partir de determinada altura comecei a tentar fazer algo parecido com os meus filhos. A faze-los sentir que, independentemente das suas camelices teriam sempre quem os cobrisse de beijos no regresso, que os esperaria de braços abertos e sorriso nos lábios. Estou ainda longe, muito longe de o conseguir. Porque o meu amor tem um lado egoísta: o que seria de mim se os perdesse? O que seria de mim se, por qualquer motivo, a sua vida não fosse a minha vida? Não aprendi, ainda, a amar completamente, sem deixar que o "eu" e o "me" interfiram nesta equação.
E, para ser sincero, é daquelas coisas que duvido que alguma vez conseguirei.
20130318
"Cada um de nós é chamado para ser um especialista em dar a volta. Quando somos confrontados com situações difíceis devíamos exultar-nos porque é para isso que cá estamos."
"Todos temos o poder dentro de nós para dar a volta às coisas. Se Jesus é o nosso treinador, isso devia ser a nossa especialidade."
Jesus, CEO
Trabalhei num Gabinete de Contabilidade durante doze anos. Fui para lá com dezasseis anos e, quando saí, era já casado e pai de filhos. Lá cresci muito como pessoa, como trabalhador e como homem, graças, como sempre, às pessoas com quem tive a sorte de aprender a viver. O Sr. Marques e o Dr. Nuno foram as minhas grandes figuras paternas daquela altura - e sabe Deus como eu ando sempre à procura de uma! - e eu bebia as suas palavras, os seus gestos e atitudes com a sofreguidão de um bebé porque sabia que estava a aprender a ser gente.
O Dr. Nuno, patrão típico mas muito humano e senhor de uma profunda sabedoria, aceitava muitos trabalhos que ninguém queria, porque eram muito difíceis e exigiam que passássemos horas à cata de pontas soltas. E ele dizia-me sempre: "Rapaz, o que é fácil qualquer um faz. Se te escolho para isto é porque confio em ti. Fica feliz por isso, porque é assim que se aprende." Uma verdadeira escola de vida!
Penso muitas vezes nele e na sua imensa sabedoria feita de vida vivida. Invariavelmente, quando me pedem para fazer alguma coisa, para assumir algum projecto, as palavras do Dr. Nuno revisitam-me. A minha primeira tendência é ficar muito próximo do pânico. "E se falhar? E se descobrirem que eu não percebo nada disto? E se deixar ficar mal quem confia em mim?" A segunda, no entanto, é partir para a solução. "Ok, O que faço eu com isto? Como posso dar a volta à situação? Onde posso ir buscar informação, onde posso ler, com quem posso conversar para me dotar de armas e bagagens para fazer algo de jeito?" E, finalmente, todo eu acampo no que tenho que fazer. Se não gosto à partida, descubro um meio de aprender a gostar. Leio e estudo muito, bebo tudo o que posso, e descubro sempre algo que me fascina na tarefa que me espera. Depois é só aproveitar, usufruir da situação, desfrutar ao máximo o que tem de bom - e qualquer situação tem sempre algo de bom, basta procurar e ficar atento - e não me agarrar em demasia ao que não corre bem. E pensar sempre, no final de cada dia, que amanhã é um novo dia. Que não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.
Muitas vezes as coisas não correm bem. A minha história é também feita de grandes fracassos, de projetos falhados, de incapacidades próprias, de alturas em que fui mais problema que solução. Não quero ter, contudo, outra forma de viver. Preferi sempre a verdade das marcas das quedas à artificialidade da perfeição.
20130317
Um novo Papa, uma nova Igreja?
Vivemos tempos muito entusiasmantes, na Igreja. Aliás, temo que serão até demasiado entusiasmantes, uma vez que as expectativas
estarão demasiado altas. E não apenas para os católicos.
De certa forma, o modo como o mundo acolheu o Papa
Francisco trouxe-me à memória o entusiasmo que foi gerado em torno do Papa
João Paulo II. Um Papa que vem de longe – por incrível que pareça agora, a
Polónia em 1978 também ficava do outro lado do mundo – com um percurso de vida
inspirador, que alimenta a esperança de uma verdadeira reforma da Igreja.
Nos dias que se seguiram ao anúncio da demissão do Papa
Emérito Bento XVI foi enorme a confusão nos meios de comunicação social. A
todas as personalidades públicas, de todas as áreas, crentes ou ateus, foi
perguntado o que aconteceria à Igreja a partir de agora. Aliás, é muito curiosa
a qualidade das opiniões que a generalidade das pessoas que não têm fé faz
acerca da Igreja. É como se convidassem um designer de moda, que nada percebe
de futebol, para analisar um Porto- Benfica decisivo para o campeonato e
obtermos como resultado uma dissertação acerca dos modelos e das cores dos
equipamentos. Não sendo mentira, nada teria a ver com a importância do
acontecimento em si. Na realidade, a partir dessa altura não houve
personalidade pública que não desse o seu contributo acerca do futuro da
Igreja.
No entanto, há alguns pontos que serão transversais a todas
as pessoas de boa vontade, sejam ou não católicas. Como a opção pela pobreza.
Ansiamos todos pelo regresso a uma Igreja dos Pobres. A uma Igreja que prossiga
o seu caminho de reencontro com o Evangelho, que se curve para lavar os pés aos
mais desfavorecidos, que não tema enfrentar os poderes instalados mas que seja
refúgio de tantos que, hoje, no mundo inteiro, não conseguem encontrar um lugar
onde possam reclinar a cabeça. E para que isso aconteça contribuirá certamente
um Papa que, tal como disse o Frei Fernando ventura, tenha a coragem de calçar
as sandálias do pescador.
Da mesma forma, é um desejo global que o Papa Francisco dê
continuidade e até aprofunde os Encontros de Assis, que o Papa João Paulo II
deu início em 1986 e o Papa Emérito Bento XVI continuou em 2011. Numa cultura
que começa a assumir de forma aberta laivos de hostilidade para com todas as
Igrejas, particularmente as cristãs (não podemos esquecer os 105 mil cristãos
mortos em 2012 por motivos de perseguição religiosa), é uma ofensa a Deus que
os cristãos se encontrem ainda divididos, dando ao mundo um contra testemunho
do que deve ser a Igreja de Jesus Cristo.
Pelo que já vimos e ouvimos do Papa Francisco, acredito que
podemos, em ambos os pontos, alimentar expectativas. A própria escolha do nome
- Francisco, que o Papa deixou bem claro referir-se ao de Assis –
particularmente vinda de um Jesuíta, pressupõe uma opção clara pela
simplicidade de vida, pelo retorno ao Evangelho e por uma vontade de reunir o
que estará desavindo. Demos Graças a Deus por isso.
Mas o que o mundo pede hoje à Igreja não é apenas isto. O mundo
contemporâneo, completamente rendido ao aqui, já e agora e ao individualismo,
não consegue entender a linguagem do serviço ao outro e tudo aquilo a que está
intimamente ligada. Por isso despreza a obrigatoriedade do celibato dos padres,
que vê quase como uma violência perfeitamente anacrónica; não entende o papel
das mulheres na Igreja, que vê como subalternidade; nem entende a
indissolubilidade do casamento, que acha incompatível com o seu conceito de
felicidade de consumo imediato. Quando se aperceberem que a Igreja não se quer
render aos critérios facilitistas da cultura dominante, não demoraremos a
escutar as vozes de protesto dos defensores do progresso e da modernidade. Não
tardaremos por isso a confirmar que aquilo que uns vêm como anacronismo, como
resultante dos poderes instalados ou como medo da novidade, nós continuaremos a
ver como fidelidade a Jesus Cristo, ao Evangelho
e à Tradição.
A Igreja é uma mãe atenta e cuidadosa dos seus filhos e, como
qualquer mãe, sabe que por vezes aquilo que os filhos desejam resulta da pulsão
de satisfazer um desejo imediato mas nem sempre corresponde ao melhor para
eles. Como mãe atenta e cuidadosa, a Igreja sabe que deve permanecer fiel ao
Amor, e que apenas o amor constitui uma base sólida para o crescimento dos seus
filhos.
O Papa
Francisco, na sua homilia da Eucaristia de conclusão do conclave, terminou
desta forma:
“Eu
queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a
coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a
Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como
nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para
diante. Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o
Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar
Jesus Cristo Crucificado. Assim seja."
A escolha de
Francisco como nome, a humildade de pedir que rezem por ele antes de dar a
Benção Urbi et Orbi, a simplicidade que manifesta, tudo isso são sinais que
agradam à generalidade das pessoas e particularmente a nós, fiéis do seu
rebanho. No entanto, a presença significativa da Cruz do Senhor naquela que foi
a sua primeira homilia enquanto Papa, é também um sinal. Na Cruz do Senhor há
tudo menos facilidade. Há dor profunda, há entrega pessoal, há dádiva total e
absoluta, há fazer a vontade do Pai, há sacrifício por amor. Acredito que,
assim como o Papa Francisco teve a humildade de pedir que rezássemos por ele,
assim como teve a sensibilidade para estabelecer pontes através dos seus
primeiros gestos e palavras, terá, da mesma forma, a coragem de manter a
fidelidade ao Evangelho e a Jesus Cristo.
E isso, como
sempre, não será do agrado de todos.
(Artigo para o jornal paroquial O Poço)
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